Esporte para deficientes: do começo da Ande até a nova gestão

Esporte para deficientes: do começo da Ande até a nova gestão

Após eleição, Ande conta com mais um mandato do presidente Artur Cruz
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Seleção brasileira de futebol pc após conquistar ouro no Parapan de Lima, em 2019. Foto: Saulo Cruz/CPB


No último sábado, dia 15, a Associação Nacional de Desporto para Deficientes (Ande) se reuniu on-line na Assembleia Geral Ordinária, em que Artur Cruz foi reeleito ao cargo de presidente da entidade. Na posição de vice, assumiu Erinaldo Chagas. A transmissão ocorreu pela plataforma Zoom e contou com a presença de mais de 50 dirigentes e atletas filiados.


A entidade é responsável pelas modalidades bocha, futebol pc e race running no Brasil, todas praticadas por pessoas com paralisia cerebral. Cruz, após descobrir que ocuparia a posição de líder da instituição até 2025, discursou para todos os ouvintes da assembleia. Ele prometeu que na nova gestão pode-se esperar novidades positivas.


“Foi um trabalho árduo nesse primeiro mandato, mas com muita garra e a vontade de acertar sempre. Essa sempre foi a nossa meta. Posso garantir que teremos muitas coisas boas nessa nova gestão, principalmente para o futebol pc. Continuem acreditando que iremos trabalhar cada vez mais”, afirmou Cruz.


Um voo que marcou o Brasil


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Dirceu Pinto marcou a história como um dos melhores jogadores de bocha. Foto: Guilherme Taboada/CPB


A história da Ande começou no céu, em um voo que trazia a delegação brasileira dos Jogos Internacionais do México. Segundo o registro da entidade, um grupo de amigos, atletas, dirigentes e técnicos apoiou a ideia do professor Aldo Miccolis, que viria a criar oficialmente a Ande no dia 18 de agosto de 1975. A associação ajudou, junto a outras entidades responsáveis por esportes adaptados, a formar o Comitê Paralímpico Brasileiro, criado somente em 1995.


Ainda consta nos documentos da instituição que o objetivo inicial era agregar os desportos praticados por todas as áreas de deficiência. Com o tempo e evolução das modalidades, a Ande passou a focar no desenvolvimento dos esportes para paralisados cerebrais.


A jornada de Miccolis vai além da criação da Ande, em 1975. A relação dele com o movimento paralímpico começou em 1958, quando ele era técnico de basquetebol em cadeira de rodas e percorria o país para divulgar o esporte e o direito à cidadania. Ele foi presidente da entidade durante 25 anos e, em 2005, foi eleito Presidente de Honra do Comitê Paralímpico Brasileiro.


Hoje, as delegações brasileiras representadas por atletas da Ande ostentam diversas conquistas. Na bocha, foram dois ouros e um bronze nos Jogos Paralímpicos de 2008, dois ouros e um bronze em Londres 2012, e um ouro e uma prata no Rio 2016. Já no futebol pc, foram um bronze em Sidney 2000, uma prata em Atenas 2004 e um bronze no Rio 2016.