Petra ganha nova classe funcional após Jogos Paralímpicos de Tóquio

Petra ganha nova classe funcional após Jogos Paralímpicos de Tóquio

O esporte, originário da Dinamarca, estimula atletas com paralisia cerebral a correrem
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Mundial de Atletismo, em 2019, Dubai. Foto: Ale Cabral/CPB


A Associação Internacional de Esportes e Recreação para Paralisados Cerebrais (CPISRA) anunciou mudanças nas regras de classificação no frame running, conhecido no Brasil como petra. Para aprovação das novas normas, a proposta foi antes analisada pelo Conselho de Administração do Comitê Paralímpico Internacional (IPC).


As alterações incluem a estruturação de duas classes do frame running, que integrarão a classificação da World Para Athletics (WPA). Antes, os atletas eram divididos, de acordo com o grau de deficiência, nas classes RR1, RR2 e RR3. Após os Jogos Paralímpicos de Tóquio, em agosto deste ano, a petra adotará o mesmo sistema do WPA, com as classes esportivas T71 e T72.


O que é a Petra


O frame running, até recentemente chamado internacionalmente de race running, é praticado no Brasil desde 2009, por iniciativa da Associação Nacional de Desporto para Deficientes (Ande), entidade que coordena o frame running nacionalmente. Criado na Dinamarca, este esporte é mais uma opção para atletas com paralisia cerebral, que correm com os próprios pés apoiados em um suporte.


O apelido petra é uma homenagem ao mascote das Paralimpíadas de Barcelona de 1992, que demonstrou uma performance incrível na modalidade. Apesar da semelhança, o equipamento não é uma bicicleta. Ele conta com suporte para o tronco, assento, guidão e três rodas. Os atletas não usam pedal, mas sim os próprios pés para correr ou caminhar.


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Adriano de Souza, bronze nos 100m RR3 de petra. Foto: Ale Cabral/CPB


O que significam as classificações funcionais


De acordo com a CPISRA, entidade internacional responsável pela petra, para competir na modalidade os atletas devem ter resultado em uma das seguintes deficiências: Hipertonia, Discinesia ou Ataxia. As classificações funcionais servem para tornar a competição equilibrada entre os atletas. Segundo a Ande, após Tóquio as classes serão divididas entre T71 e T72.


T71: Os atletas desta classe têm grande dificuldade com o controle e a coordenação do tronco e membros inferiores na produção de movimentos funcionais para corrida adaptativa, o que limita severamente a capacidade de acelerar e alcançar uma propulsão eficiente. Eles têm controle de passada pobre e são mais propensos a apresentar arrastamento do pé, levantamento deficiente do joelho e passadas severamente encurtadas, assimetria e/ou nenhum movimento alternativo da perna (isto é, mover ambas as pernas juntas ou usando uma perna). Muitos terão dificuldade ou não serão capazes de se transferir para o quadro de forma independente e manobrar o quadro até a linha de partida.


T72: Durante a corrida ergométrica, a maioria dos atletas desta classe produz movimentos recíprocos das pernas. Alguns atletas nesta classe mudam de um padrão de corrida para outro após a fase inicial. Os atletas têm equilíbrio central de razoável a bom e são capazes de acelerar com eficácia. Os atletas podem apresentar passadas encurtadas ao longo da corrida, mas alcançam uma propulsão eficaz. O arrasto do pé é improvável. 


Informações retiradas da Ande.