As Yaras: seleção brasileira feminina de rugby homenageia os povos originários

As Yaras: seleção brasileira feminina de rugby homenageia os povos originários

“Senhora das águas” traz a força da mulher brasileira sobre peito da delegação em uma busca por independência
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Mulheres mostram porque lutam. Foto: CBRu


Yaras representa coletividade. Escolhida pelas atletas e ex-atletas do time brasileiro de rugby, a imagem de Yara estampa a representante de dos povos originários do Brasil, em alusão à personagem do mesmo nome. Os princípios do rugby e a cultura indígena se encontram no significado da “senhora das águas”, como é chamada a figura. Na história tupi-guarani, ela é filha de Pajé e temida guerreira que, para escapar da morte, se refugiou nos rios amazônicos.


Hoje, dia 24 de maio, foi o dia escolhido pela Confederação Brasileira de Rugby (CBRu) para divulgar o vídeo-manifesto e o novo símbolo desenhado sobre o uniforme oficial das jogadoras, em um reflexo do espírito guerreiro da mulher brasileira. O nome já está na boca da equipe desde 2013, em uma tentativa de autonomia da estampa Tupi, principal marca do time masculino. No manifesto escrito pelas próprias atletas, surge o questionamento “Por que você luta?”, com a narração da ex-representante olímpica Beatriz Futuro. A primeira mulher a assumir o comando da CBRu, Mariana Miné, comenta a adoção da guerreira na camisa em comunicado da entidade.


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Símbolo foi conquistado pela delegação feminina. Foto: CBRu


“A história da escolha do nome ‘Yaras’, da nova identidade, é uma história de coragem e coletividade das mulheres do rugby brasileiro. Uma história de reconhecimento que não foi pedido, foi conquistado. As atletas criaram um nome, um símbolo que representava o coletivo, criaram um uniforme de forma completamente independente e começaram a vender para trazer receitas ao grupo. Estamos agora dando o destaque para esse processo. Acredito que todos nós temos que reconhecer e honrar esse movimento”, avalia Mariana Miné.


No Brasil, a instituição já soma 17 anos de atuação e, hoje, mostra a energia da delegação também com a música tema “Minha Força”, da cantora Kaê Guajajara, obra que também teve uma construção coletiva da equipe. A reunião foi no virtual e pregou o empreendedorismo para chegar em consenso sobre o conteúdo final.



Nas palavras de Juliana Esteves, ex-pilar da seleção entre 2010 e 2016, para a confederação, a conexão com a natureza interna e externa que os povos indígenas ensinam é uma referência muito forte para quem pratica rugby e sabe que tem que acreditar em cada lance, em cada oportunidade. Isadora “Izzy” Cerullo, uma das jogadoras mais experientes e vitoriosas do atual elenco, também comentou a escolha.


“A essência de ser uma Yara é ter a consciência de que precisamos uma das outras para vencer nossos desafios e sonhar com mais conquistas. Esse reconhecimento é muito importante para esse grupo de mulheres que construiu identidade própria em um esporte que ainda é considerado essencialmente masculino”, ressalta Cerullo.



Criada pelo designer paulista e jogador de rugby Liam Piacente, a identidade visual encomendada pelas jogadoras busca já nos traços mostrar que a contraposição entre os gêneros dentro e fora do esporte é algo a ser combatido. A coleção é composta por uniformes de jogo, treino, passeio e do staff, além de peças de comunicação visual. Os produtos podem ser adquiridos no site www.brasilrugby.com.br/loja